terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Os nossos animais

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Confesso que sou um pouco tarada por animais.
Tenho um cágado, que me foi oferecido porque não gostavam dele, tenho dois aquários, um com  120 litros e o outro com 110 litros cheios de peixes tropicais, este é só um deles:
Tenho um coelho anão preto, muito felpudo, o D. Coelhone e tenho o meu cãozinho, o Sr. D. Biscoito de Portugal.
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Não tenho mais por vários factores, alguns já morreram, como o caso de um pintassilgo que tinha que morreu de velho, penso eu, com seis anos, duas tartarugas que comprei, não sei do que morreram, tinha também uma gata deliciosa, que era do Mauro (o meu marido), mas que tivemos que dar pois ele de um dia para o outro ficou alérgico a ela ao ponto de ir parar ao hospital por ter inchado todo, foi uma tristeza para nós cada uma destas perdas.
Tive outros animais, muita gente sabe, mas agora não vou falar disso.
Voltemos ao meu cãozinho. O Biscoito, só tem esse nome fez agora um ano no dia 13 de fevereiro.
Este animalzinho adorável, o melhor cão que tive até hoje havia sido abandonado por alguém sem escrúpulos numa estrada qualquer.
Um dia bati o pé cá em casa e teimei que era desta que íamos ter outro cão.
Tínhamos uma cadela, criada por mim desde que nasceu, praticamente, mas com a idade , já tinha dez anos, tornou-se perigosa para o meu filho, era um animal de 30 kg, e tentou por várias vezes atacá-lo em bebé, por isso para minha infelicidade, dei-a para uma quinta onde está livre e não é perigosa para ninguém.
Ninguém imagina o que sofri com a perda dessa cadela, adorava-a! Ela, monstra, era arraçada de Labrador com Rafeiro Alentejano, vinha para o meu colo e eu ali ficava sem poder com ela e debaixo literalmente dela...hehe! O que fazemos pelos animais....
Bem, o ano passado, já farta de não ter um cão e com o menino sempre a pedir um, resolvi começar a pedir aos amigos se sabiam de alguém que tivesse cães para dar. Digo dar porque e peço já desculpa, detesto que as pessoas vendam animais, parece que se trata de mercadoria e são seres de pele e osso como nós. Acho que só compraria um animal, tirando algumas excepções como os peixes que tenho,por exemplo, se esse animal estivesse em risco e o quisesse salvar dos donos que tinha, caso contrário não compro animais.
Como ninguém tinha ou os que tinham eram para vender, agarrei nos meus sapatinhos e fui ao Canil Municipal ver o que por lá havia. Esses sim, precisam de um lar e todos, exceptuando talvez os bebés, têm já uma triste história que se falassem, teriam certamente muito que contar.
Tinha visto no sítio do Canil Municipal, na Internet, um cãozinho pequeno, que era o que pretendia, que me tinha interessado e lá fui.
Quando lá cheguei, fui muito bem atendida e puseram-me logo à vontade para ver os cãezinhos que por lá tinham.
Comecei a percorrer as boxes e todos faziam festas e a todos eu fazia uma. Quando passei por uma delas, o cãozinho que lá estava, não fez festa, tinha um ar muito triste e ao contrário dos outros afastou-se da grade para que não lhe tocasse... Continuei a ver os cães. O cão que eu tinha em mente, não era bem o que queria e por acaso era o que estava na última box. Voltei para trás e voltei a percorrer aquilo tudo. Quando passei pelo tal cão que se tinha afastado da grade, estava agora todo encostado a ela para que finalmente lhe fizesse uma festa. Fiz-lhe a festa e o olharzinho triste dele animou-se. Não sei explicar que magia ali houve, mas apaixonei-me naquele instante por ele! 
Fui perguntar se ele estava disponível para adopção, disseram-me que sim e fiquei toda contente, era a ele que eu queria! Não tinha dúvida nenhuma disso.
Apareceu a veterinária, muito simpática e atenciosa que me explicou que não o podia levar naquele dia pois tinha que ser desparasitado, chipado e castrado. Refilei, coitado do bicho, ser castrado mas disseram que eram regras para evitar a proliferação de animais na rua e que era assim, mandaram-me voltar lá no dia seguinte para o trazer, no dia 13 de fevereiro de 2014, Faz agora um ano.
Lá fui no dia seguinte, já cheia de saudades dele e ansiosa. quando cheguei, a veterinária disse que precisava de falar comigo, fiquei preocupada. Disse-me que tudo tinha corrido bem, mas que o cão já era idoso, que tinha algumas mazelas no corpo, tais como uma orelha rasgada, uma bochecha também e que tinha um pequeno sopro no coração. Perguntou-me se mesmo assim estava disposta a ficar com ele! Respondi imediatamente que sim! Por duas razões, primeiro, poucas pessoas iriam adoptar um cão idoso e doente, acabaria abatido e depois porque me tinha apaixonado por ele, não o iria largar só por ser doente e velho!
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Trouxe o meu Biscoito para casa. Tinha ido a pé pois não tenho carta de condução e ele tinha acabado de ser operado, trouxe-o a pé sempre ao colo e todo ele tremia e agarrava-se a mim, ele estava gelado, todo molhado e de certeza, cheio de medo.
Levou meses a habituar-se à casa e sempre com olhos de medo. Mas sempre colado a mim, era e é a minha sombra! Com o tempo foi-se habituando, começou a ladrinhar timidamente...
Agora é um cão diferente ao fim de um ano! Já é senhor da sua casa, já reclama, já pede o que quer, ganhou o espaço dele! Tornou-se um cão feliz. Acho graça que quando está deitado, temos que o empurrar ou passar por cima porque o fulano não se mexe um milímetro!
Já não imaginamos a casa sem o Biscoito!
Há muitos Biscoitos por aí, abandonados, maltratados, em risco de ser abatidos...Fico muito triste por isso. Se pudesse, salvava-os a todos das condições em que vivem.
Por isso, apelo a todos que, caso tenham condições para isso, vão aos canis e tragam um animal para casa, um animal para amarem, cuidarem e estimarem.
Lembrem-se sempre que os animais são para toda a vida, não são brinquedos e amam, amam muito sem nada pedirem em troca, amam incondicionalmente, independentemente do nosso estado de espírito e estão sempre ali para nós.
Somos o centro das vidinhas deles e contam connosco para tudo.
São uma excelente companhia para as crianças e fazem com que elas se sintam responsáveis e também tenham um companheiro. Há até estudos que dizem que crianças que crescem com animais de estimação são mais felizes, mais responsáveis e mais sensíveis para com os animais, cuidando deles.
Pensem que os animais precisam de cuidados, são um membro da família, precisam de ir à rua, ter comida e água limpa, precisam de atenção e carinho, de ir ao veterinário. Se não têm condições para isso, não adoptem.
Se têm estas condições e querem ter amor incondicional e uma vida mais preenchida, Adoptem, salvem esses milhares de animais que estão ali, à espera que alguém olhe para eles e se apaixone e os queira para sempre.
Adoptem!
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