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quarta-feira, 18 de março de 2015

A minha infância e adolescência (1/3)








A minha mãe é de Angola. E la e os meus avós faziam muito o triângulo, como lhe chamavam, entre Angola, o Brasil e Portugal.
Os meus avós eram portugueses e o meu pai também. A minha mãe era portuguesa de Angola.
Quando estalou a guerra em Angola, eles estavam lá todos. Em 1975 Os meus avós foram viver para o Brasil, Para Manaus, onde o meu avô tinha trabalho, no INPA, o Instituto Nacional de Protecção da Amazónia.
Pouco tempo depois, os meus pais também se vieram embora, já no fim, para irem ter com os meus avós ao Brasil mas decidiram Ir de automóvel para a Africa do Sul. Tiveram muitas peripécias pelo caminho, o País estava em guerra e os meus pais a atravessá-lo sozinhos de automóvel. Lá foram resolvendo os problemas que surgiram e conseguiram chegar a Cape Town, a Cidade do Cabo de hoje.
Aí tinham a questão do Apartheid. A minha mãe conta que chegou a estar 2 horas à espera da chave da casa de banho das brancas… Foram tempos conturbados e ainda bem que alguns se resolveram…
Segundo a minha mãe, eu fui concebida lá, Em Cape Town.
Já grávida, embarcou com o meu pai para o Brasil para se juntar aos meus avós.
Viveu a gravidez toda em Manaus e já no final da gravidez, o meu pai teve que regressar a Portugal por causa dos negócios que cá tinha, a minha mãe quis vir com ele, claro.
Embarcou no avião grávida de 9 meses, o que era proibido, mas conseguiu disfarçar a gravidez. Dentro do avião, as águas rebentaram às 4 da manhã e eu nasci já em Portugal às 5 para as 9 da noite. Tive “azar” porque se tivesse nascido no avião, teria viagens gratuitas para o resto da vida e presentes no aniversário.
Nasci dia 1 de Abril de 1976, em Lisboa, onde ficámos a morar.
Os meus pais não tinham qualquer problema financeiro, viviam bem devido aos negócios do meu pai. Era uma vida de bem estar financeiro.
Quando tinha 3 anos, os meus pais foram visitar um casal de amigos nossos vizinhos, pois ela fazia anos. Eles tinham um Grand Danois, uma raça de cães, tão grandes, que parecem burros pequenos, em casa e eu, pequenita, fui mexer-lhe na comida. Ele virou o focinho para me afastar mas raspou os dentes na minha cara e rasgou-a toda. Levaram-me logo para as urgências mas o cirurgião que estava de plantão não sabia cozer-me. A sorte é que o dono do cão, o nosso amigo, era um cirurgião muito conceituado e cozeu-me ele. Segundo a minha mãe conta, as instalações e condições eram péssimas e o cirurgião teve que cozer-me com agulha e linha de costura. Levei 36 pontos na zona dos olhos. Fiquei sem um bocado de sobrancelha e tudo. Estive 2 meses cega, estava em constantes tratamentos para que não ficasse desfigurada e andei assim uns largos meses. Queriam fazer-me uma cirurgia plástica mas como era pequena, na altura só davam anestesia local e a minha mãe não quis, ficou cá a marca.
Os meus pais tinham divergências que com os anos se foram agravando. O meu pai não entendia a minha mãe e ela não o entendia a ele. Infelizmente assisti a cenas de violência doméstica e bem pequenina tentava defender a minha mãe, sem sucesso, claro, mas ele lá se acalmava. Comigo nunca houve nada, nunca me levantou a mão.
A minha mãe ainda chegou a sair de casa mas ele foi busca-la. A minha mãe era uma pessoa que sofria de constantes depressões, ainda hoje, e tinha uma percepção diferente das coisas. Não estou a falar mal dela, estou a relatar o que me aconteceu. Ela ficava tão envolta nos problemas dela que às vezes se esquecia de me ir buscar ao colégio, vinham as educadoras trazer-me, esquecia-se de me dar o almoço, ou não comia ou era a empregada que tínhamos que o fazia…Enfim…
Isto chegou a tal ponto, que aos meus 7 anos, ela tentou o suicídio para se livrar dos problemas, segundo ela. Mas esqueceu que tinha uma filha pequena, que precisava da mãe.
Fui eu que a encontrei quase morta na cama. Imaginam o que é? Não queiram!
Chamei os vizinhos, percebi que a coisa não era boa, pedi ajuda e fiquei em casa de uns vizinhos que não conhecia à espera.
Os meus avós vieram para Portugal logo a seguir à minha mãe, o meu avô era muito agarrado à filha. Arranjou colocação como professor universitário em Vila Real mas como achava que estava muito longe dela, pediu transferência para Évora, para ficar mais perto de Lisboa.
Estive horas à espera que alguém me viesse buscar. O meu pai não sabia de nada, nem sabiam onde ele podia estar e então chamaram o meu avô, que estava em Évora e demorou horas a chegar a Lisboa para me vir buscar e para tratar do internamento da minha mãe no hospital.
A minha mãe ficou quase 5 meses internada e quem ficou comigo, contra vontade dos meus avós e da minha mãe, foi o meu pai, que foi metido em tribunal por causa do poder paternal.
Estive com o meu pai esses 5 meses, foram meses divertidos, eu andava sempre com ele, contudo ele tinha a Judiciária à perna por minha causa. Eu já os conhecia a todos, eram sempre os mesmos! Chegava a cumprimenta-los no café e eles aproveitavam para me perguntar se estava tudo bem comigo.
Em seguida a minha mãe veio viver com os meus avós para Évora, em Junho, salvo erro e em Novembro o meu avô faleceu. Foi uma desgraça para toda a gente, até para o meu pai pois gostava muito dele e por isso, o meu pai resolveu devolver-me à minha mãe. Vim para Évora em finais de Novembro.
Entrei para a 2ª. classe da escola primária a seguir às férias do Natal e adaptei-me bem pois quando entrei na escola já sabia ler e escrever com os ensinamentos da minha mãe e da minha avó.
O meus colegas é que não gostaram nada de mim, nem eu deles. Era sistematicamente perseguida por ser filha de pais divorciados, por ser de Lisboa, por ser gordinha, por ter uma cicatriz na cara, por causa do meu apelido… E foi assim toda a minha vida escolar…
Com a separação dos meus pais e a morte do meu avô, a nossa situação financeira tornou-se quase nula! Eles eram as fontes de rendimento.
A minha avó ficou apenas com uma mísera pensão de sobrevivência que para pouco chegava. E a pensar que ainda há muita gente a receber essas misérias…
No início foram vendendo a joias todas que tinham, quando se acabaram as joias, acabou-se esse rendimento e já não restava nada.
A minha  mãe tinha sido criada para casar (as coisas eram assim antigamente) e o meu avô nunca se preocupou e tratar dos documentos de habilitações da minha mãe e com a guerra, desapareceu tudo. A minha mãe nem o comprovativo de 4ª classe tinha! E ela tinha o antigo 9º ano, equivalente ao nosso 12º feito.
Devido a isso, nunca conseguiu arranjar emprego, saltitava de emprego em emprego por poucos meses e não se podia contar com esse dinheiro.
A nossa renda era só a pensão da minha avó.
Passámos muita fome, muito frio.
Lembro-me que chegávamos a dormir as 3 juntas para não termos muito frio, o nosso quarto chegava ao 0 graus, não havia dinheiro para aquecedores, electricidade e muitas vezes ficámos sem ela por falta de pagamento, andávamos com velinhas e candeeiros a petróleo, quando havia…
Punhamos os cobertores todos em cima da cama, metíamos os casacos também, tudo para nos aquecermos um pouco.
Quanto à comida, íamos tendo mas muito pouquinha e graças ao punho de ferro que a minha avó tinha na economia doméstica. Ela repartia irmãmente tudo o que havia, eram às vezes umas sopinhas de caldo ou 3 batatinhas para cada uma com um pedacinho de carne ou peixe… se reclamávamos com fome, ela retorquia, bebe água que isso passa.
A minha avó era uma senhora fabulosa, nunca irei conhecer ninguém como ela. Nasceu com problemas de surdez e de visão, foi muitas vezes operada. Via muito mal e era muito surda, usava um aparelho que ia ajudando. Mas ela não desistiu nunca na vida! Sempre fez a vida dela, era muito culta, nasceu em 1912 e conseguiu terminar o antigo 9º ano, coisa rara na época, trabalhou como tradutora, foi secretária de um advogado, escreveu poemas para um jornal, era fantástica!
Ela, além desses problemas de saúde que referi, tinha muitos outros e alguns graves mas nunca aquela alminha se queixava! Nunca! Para ela estava sempre tudo bem e queria os outros bem…
Ela entretinha-se a fazer e a ensinar-me a fazer bolinhos, compotas, pão… De tudo fazia para que a fome fosse a menor possível.
E assim fui crescendo, sempre com a minha avó e com a minha mãe, sozinhas as 3, aliadas em tudo, a minha mãe sempre um pouco mais ausente em algumas coisas devido à depressão mas íamos indo…
Eu só tinha 3 vizinhas que eram manas e só podia brincar com elas mas a minha mãe às vezes embirrava e não me deixava sair de casa nas férias grandes, passava 3 meses sem amigos para brincar. Mas isso não me impedia de me distrair, as minhas amigas eram vizinhas da frente e brincávamos à janela, conversando e descobrindo coisas novas em dicionários e outras coisas.
Na escola, não havia dinheiro para livros e elas tinham vergonha de pedir apoio social. Lembro que do 7º ao 9º anos não tive nem um único livro, estudava pelos apontamentos e lá conseguia passar de ano…
Quando terminei o 9º ano, decidi ir para a escola profissional onde ganhava subsídios e podia ajudar em casa com algum dinheiro…
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

O bullying nas escolas! E na vida, Também eu fui vítima…




O bullying nas escolas para mim é uma coisa preocupante.
Nós como pais, educadores e professores devemos andar atentos e fazer os possíveis para evitar isto.
É um assunto grave que não deve ser descurado. As crianças são por natureza más umas para as outras, não direi más, demasiado frontais e instintivas, agem por impulso, mas deixam marcas nos outros.
O meu filho de seis anos já sofre disso. É muito alto para a idade que tem e também muito bem constituído e os miúdos gozam com ele e batem-lhe. Ele defende-se mas nem o bullying já é como antigamente que era taco a taco, um contra um. Ele conta-me que há sempre miúdos que o agarram para outros lhe baterem pois sabem que ele tem força. Eu pergunto-lhe onde estão as auxiliares e a professora e ele responde que não viram nada, os miúdos são espertos e não fazem estas coisas às clara. O meu filho não é nenhum santo, também faz asneiras mas foi ensinado que não há discriminações, não há gordos nem magros, nem pretos, brancos, amarelos ou ciganos, que os meninos são todos iguais. Ele diz que o que mais o revolta é falarem da família, que os pais são gordos e que não admite que falem mal da família dele! Quem é que pode contrariar esta ideia? Eu bem lhe vou dizendo que tenha calma, que não ligue, que chame a professora e ele encolhe os ombros. Ele tem que se defender e como o protejo eu disso?
Não sei responder.
Também eu sofri do mesmo e também eu tive que me defender…
Eu sempre fui uma pessoa diferente. Apesar de ter muitos grupos e acompanhar até com vários ao mesmo tempo, nunca me senti aceite ou realmente integrada em nenhum. Sempre sofri de bullying na escola, porque era gorda, porque tinha uma cicatriz na cara, porque era de outra cidade, porque era filha de pais divorciados, até por causa do meu apelido me gozavam! Era a Estrugalena, a Navalhadas, eu sei lá que nomes me deram!
Mas eu não me ficava! Partia para a porrada e ainda mandei alguns para o hospital! Era a forma que tinha para me defender quando não tinha professores ou auxiliares para me apoiar. Esses sim foram sempre os meus melhores amigos e recordo muitos com carinho e saudade, eles compreendiam-me, falavam comigo, chegávamos a passar intervalos inteiros a conversar ou até bebíamos café juntos na escola.
Toda a vida escolar tive que me confrontar com os maus tratos psicológicos que sofria na escola.
Graças a Deus sempre tive uma autoestima e individualidade muito bem definidas e nunca me deixei ir abaixo, às vezes ficava triste, chorava até mas de raiva porque não entendia porque me tratavam assim pois eu não me metia com ninguém nem fazia mal a ninguém, mas era assim e eu defendia-me.
Via outras crianças/ adolescentes que não lidavam com isso da mesma forma que eu, sofriam, psicológica e fisicamente com a maldade dos outros, uns, não sabiam como se defender e batiam-lhes, batiam-lhes a doer, principalmente aos rapazes e outros choravam, sofriam muito, alguns até passavam temporadas sem ir à escola devido aos problemas psicológicos que os outros lhes causavam, a baixa autoestima, o sentimento de inferioridade de incapacidade de defesa perante as provocações e maus tratos.
Há também outra forma de bullying, que ninguém aborda.
O bullying da vida, do dia a dia.
Já repararam que há sempre alguém a tentar provocar-nos?
Há sempre aquela ou aquelas pessoas estúpidas que nos estão sempre a querer deitar abaixo?
Estás mais gorda!  Eu trabalho mais que tu! Não percebo porque estás cansada! Eu fazia isso melhor que tu! Entre outras mil coisas que podia dizer…
Há sempre gente que nos quer mal, há quem se expresse e quem só pense. As pessoas em vez de pensarem na vida deles, só estão bem a provocar os outros, a serem mesquinhas, invejosas, maldosas.
Isso magoa-me e isolo-me. Prefiro ignorar (às vezes é impossível e lá vai uma resposta mais trota para os por no seu devido lugar!), fazer de conta que não é nada comigo e preocupar-me com a minha vida que já me dá muito trabalho.
É um bullying disfarçado, sem violência física, mas muitas vezes afeta muito psicologicamente e faz-nos mal às entranhas.
No trabalho então é mais que evidente, trabalhamos todos ali juntos dias inteiros e os colegas não perdem uma oportunidade para tecerem críticas uns aos outros.
Isto cansa no dia-a-dia. Acabamos por chegar a casa mal dispostos por causa das farpas que nos vão lançando…
Por isso resolvi mudar de vida!
Fartei-me de tanta maldade, de ter que aturar coisas das quais não gosto, não aceito e não quero ficar indisposta com elas.
Estou a mudar de profissão, com muito gosto pois estou a trabalhar com uma equipa que não aponta dedos, antes pelo contrário, dá apoio, ajuda no que é preciso, está lá sempre para mim com palavras de incentivo e não de crítica.
Comecei a trabalhar com a Empower Network e com os Lazy Millionaires.
Dão-me tudo o que preciso e trabalhando com eles, terei tudo aquilo que quero, com muito trabalho no princípio, é verdade, mas com esforço e dedicação, conseguirei cumprir os meus sonhos.
Ser independente do trabalho e financeiramente,
não ter patrões,
trabalhar ao meu ritmo,
sem horários para cumprir pois trabalho às horas que quero,
como o trabalho é feito na internet, não estou presa a lado nenhum,
posso trabalhar onde quiser pois a internet é móvel,
posso ter mais tempo para o meu filho,
posso ganhar muito dinheiro, já estou até a começar a ter resultados,
posso realizar os meus sonhos,
posso viajar,
posso ter tudo aquilo que quiser desde que trabalhe para isso pois nada é dado de mão beijada nem cai do Céu.
Mas sei que com o meu trabalho, que faço com gosto, com entusiasmo, com amor, vou conseguir dar uma vida melhor ao meu filho e à minha família.
Quero, posso e sou capaz!
Todos são capazes, todos entram para o Internet marketing sem saberem fazer nada, vêm para uma escola onde aprendem tudo, sobretudo aprendem que todos temos capacidades infindáveis de sonhar e de cumprir com os nossos sonhos…
Queres Ficar desse lado só a ler ou queres também tu fazer parte desta grande equipa e ousar cumprir com os teus sonhos?
Queres dar uma vida melhor aos teus filhos? Queres ganhar dinheiro?
Não percas tempo, subscreve a minha newsletter gratuitamente e terás todas as informações do que isto é, ficarás sem dúvidas nenhumas, te garanto!
Fico à tua espera deste lado.
http://patriciadeportugal.com/c/stopface